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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

" greg, por favor tenha paciência com a lu!
ela é brava, mandona e tem uns ataques de nervosismo, mas no fundo, no fundo ela é uma boa menina."


luzia lopes

terça-feira, 18 de agosto de 2009


não sei quantas almas tenho

não sei quantas almas tenho.
cada momento mudei.
continuamente me estranho.
nunca me vi nem acabei.
de tanto ser, só tenho alma.
quem tem alma não tem calma.
quem vê é só o que vê,
quem sente não é quem é,
atento ao que sou e vejo,
torno-me eles e não eu.
cada meu sonho ou desejo
é do que nasce e não meu.
sou minha própria paisagem;
assisto à minha passagem,
diverso, móbil e só,
não sei sentir-me onde estou.
por isso, alheio, vou lendo
como páginas, meu ser.
o que segue não prevendo,
o que passou a esquecer.
noto à margem do que li
o que julguei que senti.
releio e digo : "fui eu ?"
deus sabe porque o escreveu.

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fernando pessoa

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

PRODUTORES RURAIS




" uma enxada na mão e uma camera na cabeça". glauber roça

domingo, 9 de agosto de 2009

e nesse meio tempo ele encontrou tantas pessoas que o amaram e o admiraram como ele realmente era, que acabou se apaixonando "narcisamente" por si mesmo.

domingo, 2 de agosto de 2009

auto retrato

prolixa, exata, detalhista, calculada, minimalista, repetitiva, questionadora, mimada, centralizadora,"organizada", desorganizada, cdf, protetora, protegida, realista, anota absolutamente tudo,otimista,realizadora, guerreira, mágica, persuasiva , sonhadora, chata para alguns, certíssima para outros, heroina para os meus, errante para outros,auto crítica, crítica, viciada em mudanças, mesmo que sejam de móveis de lugar,transparente, tem pânico e toc por acreditar que tem as síndromes, quase uma virginiana.


sou assim mesmo , do jeitinho que eu gosto.

ps: os defeitos num próximo post, talvez.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

" luz do amanhecer, luz do meio dia, luz do entardecer: o que importa é que seja luz."
iglesias janeiro

quarta-feira, 29 de julho de 2009





tempo...


a cena foi mais ou menos assim:

eu, oito senhoras onde as idades variavam entre sessenta e cinco e oitenta anos. alguns salgadinhos , refrigerantes e o assunto: gatos.

quando dei por mim estava participando de uma pesquisa de mercado sobre o lançamento de uma nova ração para gatos.

meu deus, quando me perguntaram quantos gatos eu tinha , me senti envergonhada. era eu a proprietária do maior número felinos daquela sala.

já percebi que além da idade, agora terei que omitir o número de gatos que tenho também.

quanta cumplicidade nos nossos olhares quando se cruzavam e percebíamos que queríamos o melhor para os nossos tão amados pets.

entre uma rosquinha e outra , uma ou outra opinião divergente, éramos todas ali muito coniventes com o mesmo propósito.

me senti da mesma idade delas, sempre tive essa facilidade de adaptação, quando estou com pessoas mais novas , consigo ser mais nova que elas, e isso acontece com os mais velhos também.

eu era a idosa mais descolada daquela sala. dona lourdes, a bibliotecária aposentada, dona irene professora do estado também aposentada, dona rosa costureira , dona ivete dona de casa com muito orgulho, fazia questão dizer em alto e bom som . as outras não tive tempo de compartilhar experiências, e eu a jovem senhora, ou a idosa descolada, "cineastra".

falamos de tudo, sobretudo, gatos!

que tarde fantástica!

quando a pesquisa acabou me deu até uma tristezinha, por mim passaria mais dois dias compartilhando as peripécias dos nossos gatinhos.

me despedi , caminhei uns 100 m, senti uma mão no meu ombro esquerdo, era a dona lourdes me perguntando para onde eu estava indo.

respondi:

-vou para a paulista

por um momento se passou pela a minha cabeça responder:

- para o mesma direção que a senhora.

podemos evitar "quase" tudo na vida, menos o inevitável, a idade.