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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011



hoy no estoy

uma vontade absurda de sumir sem deixar recado, de sair para comprar cigarros e voltar um dia ou não , de ir para um café e de encontrar aquela pessoa que perdi em algum momento da minha vida.
de fugir de casa, mesmo morando só, de não atender celular, rádio e não responder emails.
de me esconder debaixo da cama e acreditar ingenuamente que é o lugar mais seguro do mundo, de ficar em silêncio no escuro, de ficar horas olhando para o teto contando as rachaduras.
de ser invisível por algumas horas, de não pensar em nada , de esquecer os problemas e as chateações da rotina.
de me esconder tanto até sentir um enorme prazer de me reencontrar.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011




prefiro você `a todas as histórias ,benditas ou malditas de um remoto passado.
prefiro quando se despede de mim e fica me olhando até você sumir do meu campo de visão, `as despedidas frias e dolorosas que já tive.
prefiro ficar te ouvindo falar de cinema horas aos ecos agudos e distantes do passado.
prefiro você me olhando quando estou distraída aos olhares repressores de outras vidas.
prefiro quando você se preocupa com o meu sono `as horas de sono perdidas por situações sem solução.
prefiro o boteco da esquina com você ao fasano por obrigação.
prefiro a sua sinceridade rasgada a toda mentira escondida.
prefiro a sua gentileza a toda falsa generosidade.
prefiro a sua delicadeza a sutileza disfarçada.
prefiro o precioso a qualquer coisa que brilhe.
prefiro dizer o que sinto a esconder a verdade.
só hoje pude perceber, que sempre preferi o doce ao amargo.



domingo, 16 de janeiro de 2011


ordem de despejo

por favor, tire todas as suas coisas daqui.
as suas roupas, a sua alegria, a sua tristeza, os seus livros, os seus sapatos, a sua comida predileta, o seu perfume e o seu futebol de domingo.
por favor, não me desaponte, tire também aquela tarde que passamos rindo só de lembrar de situações que passamos juntos e nos fizeram rir.
leve também aquela noite que juramos que a gente era para sempre, e aquela viagem que planejamos tanto e não aconteceu.
tenha piedade e vá , e não esqueça de levar aquele cartão postal da itália que você me mandou jurando que aquela viagem só teria tido graça comigo.
não deixe para pegar depois, as suas meias, as suas piadas que de tão sem graça me obrigavam a rir por livre falta de opção, e a sua caneca preferida também.
ah, é bom você levar todas as sessões de cinema que fomos juntos, os jantares no indiano da esquina e aquela mania ou habilidade de falar todas as palavras junto comigo.
já ia me esquecendo das ligações de madrugada, das mensagens de texto e os códigos que usávamos em público.
agora o que você não pode esquecer mesmo, é a respiração quentinha que toda noite dormia quase que sincronizada junto a minha.
tire os abraços apertados e os sorrisos altamente irresistíveis, o mais depressa possível.
e é importante levar a sua mania de ser o meu audiolivro toda noite antes de dormir.
acho que não me esqueci de nada, já pode ir.
você tem cem anos, a contar de agora, para desocupar todos os cômodos, absolutamente todos os cômodos da minha mente.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

e depois de tanto tempo, tantos amores, tantas idas e vindas.
você continua lindo, intenso e precioso como aquele livro perfeito que faço questão de tê-lo sempre por perto.
só para ter o prazer de reler e lembrar de trechos inesquecíveis que fizeram e farão parte da minha história.
um trecho de cada vez, bem devagarinho para nunca acabar.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

"paz
eu não agüento mais
me deixa em paz
sai de mim
me deixa em paz

vá, nosso fogo se apagou
nosso jogo terminou
vai pra onde Deus quiser
já é hora de partir
não adianta mais ficar"


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

ela comprou vinho e acendeu velas na banheira, e ele levou o jantar.
- velas no dia trinta e um de outubro?
- sim, velas.
- hoje é dia das bruxas . é alguma bruxaria para me prender? - disse ele
- é? tenho andado tão ocupada que nem me lembrei que dia é hoje.


ela tentou ser romântica, e ele supersticioso.


quinta-feira, 23 de setembro de 2010


geralmente é assim.

eu quase nunca preciso pegar ônibus e nenhum outro transporte público. tenho sorte ,sou freelancer e todos os meus jobs , no caso filmes , as bases são perto de casa, quando eu digo perto , são perto mesmo.

quando não, uso o carro da produção, mas toda vez que eu preciso pegar, e geralmente é ônibus, e geralmente é pico, e geralmente eu tenho um dia como o de hoje.

entro naquele ônibus lotado, pessoas suando e abusando do pequeno poder, que se resume a alguns centímetros de espaço.

hoje voltando de duas reuniões, sim porque o que mais fazemos no cinema além de debates, são as reuniões. hoje precisei de um transporte público, um ônibus no caso.

como havia dito no começo do texto , geralmente preciso quando é pico, quando estou cansadaça, e geralmente lotado, e geralmente luto com todas as minhas forças e espertice adquiridas em ficar com um olho no troco e o outro no pirulito, ou seja ligada para alguém sair e na sutileza me sentar no lugar da mesma. tudo na humildade , sem ficar com o sorrisinho bobo olhando na cara do looser, que perdeu a disputa pelo lugar. é uma disputa psicológica quase saudável. na luta de hoje , eu ganhei, geralmente é assim, mas geralmente entra um idoso logo na sequência , que vem na minha direção, e geralmente ele caminha e pára exatamente na minha poltrona. o meu impulso é de olhar no vidro para ver se peguei algum acento preferencial, checo e ok, estou no meu direito de cidadã, sem infringir lei alguma. mas não, aquele velho me olha como se eu fosse a culpada por todas as guerras civis , pela bomba de hiroshima, pela fome na etiópia e por não existir paz mundial.

hoje me fiz de autista, não ia dar o gostinho para o office boy que se digladiou comigo por aquele tão desejado acento. olhei bem fixamente para o vidro , aumentei o volume do som e fiquei ouvindo talo” kings of leon california waiting". fiz as contas, no ônibus cabem 35 pessoas sentadas e 45 em pé, ou seja, tirando eu e aquele ancião, são 78 pessoas para ele culpar pelas desgraças do mundo.

mas não, sou eu que tenho que me responsabilizar. não contente, o sabichão ancião, deu dois totózinhos no meu ombro , eu tirei o óculos de sol e olhei pra ele, e disse um texto com os olhos, não movi um músculo sequer, a não ser, o ocular. dizendo:

" - meu senhor, sou produtora de cinema nacional brasileiro. sacou? "

e o olhar dele me respondeu.

- meus pêsames.

e saiu andando procurando uma outra vítima disposta a se responsabilizar por todas as mazelas da humanidade.