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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

domingo, 16 de janeiro de 2011

por favor, tire todas as suas coisas daqui.
as suas roupas, a sua alegria, a sua tristeza, os seus livros, os seus sapatos, a sua comida predileta, o seu perfume e o seu futebol de domingo.
por favor, não me desaponte, tire também aquela tarde que passamos rindo só de lembrar de situações que passamos juntos e nos fizeram rir.
leve também aquela noite que juramos que a gente era para sempre, e aquela viagem que planejamos tanto e não aconteceu.
tenha piedade e vá , e não esqueça de levar aquele cartão postal da itália que você me mandou jurando que aquela viagem só teria tido graça comigo.
não deixe para pegar depois, as suas meias, as suas piadas que de tão sem graça me obrigavam a rir por livre falta de opção, e a sua caneca preferida também.
ah, é bom você levar todas as sessões de cinema que fomos juntos, os jantares no indiano da esquina e aquela mania ou habilidade de falar todas as palavras junto comigo.
já ia me esquecendo das ligações de madrugada, das mensagens de texto e os códigos que usávamos em público.
agora o que você não pode esquecer mesmo, é a respiração quentinha que toda noite dormia quase que sincronizada junto a minha.
tire os abraços apertados e os sorrisos altamente irresistíveis, o mais depressa possível.
e é importante levar a sua mania de ser o meu audiolivro toda noite antes de dormir.
acho que não me esqueci de nada, já pode ir.
você tem cem anos, a contar de agora, para desocupar todos os cômodos, absolutamente todos os cômodos da minha mente.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
você continua lindo, intenso e precioso como aquele livro perfeito que faço questão de tê-lo sempre por perto.
só para ter o prazer de reler e lembrar de trechos inesquecíveis que fizeram e farão parte da minha história.
um trecho de cada vez, bem devagarinho para nunca acabar.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
quinta-feira, 23 de setembro de 2010

geralmente é assim.
eu quase nunca preciso pegar ônibus e nenhum outro transporte público. tenho sorte ,sou freelancer e todos os meus jobs , no caso filmes , as bases são perto de casa, quando eu digo perto , são perto mesmo.
quando não, uso o carro da produção, mas toda vez que eu preciso pegar, e geralmente é ônibus, e geralmente é pico, e geralmente eu tenho um dia como o de hoje.
entro naquele ônibus lotado, pessoas suando e abusando do pequeno poder, que se resume a alguns centímetros de espaço.
hoje voltando de duas reuniões, sim porque o que mais fazemos no cinema além de debates, são as reuniões. hoje precisei de um transporte público, um ônibus no caso.
como havia dito no começo do texto , geralmente preciso quando é pico, quando estou cansadaça, e geralmente lotado, e geralmente luto com todas as minhas forças e espertice adquiridas em ficar com um olho no troco e o outro no pirulito, ou seja ligada para alguém sair e na sutileza me sentar no lugar da mesma. tudo na humildade , sem ficar com o sorrisinho bobo olhando na cara do looser, que perdeu a disputa pelo lugar. é uma disputa psicológica quase saudável. na luta de hoje , eu ganhei, geralmente é assim, mas geralmente entra um idoso logo na sequência , que vem na minha direção, e geralmente ele caminha e pára exatamente na minha poltrona. o meu impulso é de olhar no vidro para ver se peguei algum acento preferencial, checo e ok, estou no meu direito de cidadã, sem infringir lei alguma. mas não, aquele velho me olha como se eu fosse a culpada por todas as guerras civis , pela bomba de hiroshima, pela fome na etiópia e por não existir paz mundial.
hoje me fiz de autista, não ia dar o gostinho para o office boy que se digladiou comigo por aquele tão desejado acento. olhei bem fixamente para o vidro , aumentei o volume do som e fiquei ouvindo talo” kings of leon california waiting". fiz as contas, no ônibus cabem 35 pessoas sentadas e 45 em pé, ou seja, tirando eu e aquele ancião, são 78 pessoas para ele culpar pelas desgraças do mundo.
mas não, sou eu que tenho que me responsabilizar. não contente, o sabichão ancião, deu dois totózinhos no meu ombro , eu tirei o óculos de sol e olhei pra ele, e disse um texto com os olhos, não movi um músculo sequer, a não ser, o ocular. dizendo:
" - meu senhor, sou produtora de cinema nacional brasileiro. sacou? "
e o olhar dele me respondeu.
- meus pêsames.
e saiu andando procurando uma outra vítima disposta a se responsabilizar por todas as mazelas da humanidade.