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sexta-feira, 4 de abril de 2008

saudosa irmã nézia

com dezessete anos me mudei para piracicaba para cursar comunicação social com habilitação em publicidade e propaganda,na unimep.
não conhecia nada nem ninguém . minha mãe no desespero de encontrar um lugar para eu morar,acabou encontrando um pensionato, que segundo ela, "era de família".
ao chegar pude perceber o quanto era séria a coisa, praticamente um lugar santo!
fui recebida por algumas irmãs de hábito . simpáticas elas. me mostraram meus aposentos, com direito a dar um grande role para conhecer o resto. a coisa era monstruosa de grande, uns 40 quartos , 20 banheiros , uma capela grande , o lugar era surreal.
os quartos com piso frio e grandes vitrais, aliás o lugar inteiro poderia ser descrito assim.
a noite fazia um frio de doer os ossos.
aos poucos fui tentando me enturmar com as meninas, foi difícil porque nunca fui digamos assim "locôna", mas também nunca fui tão normal como elas. eu como sempre, no caminho do meio.
lá existia uma lenda do cavalheiro da capa preta que aparecia à noite. ninguém ia ao banheiro depois das 23:00 a não ser acompanhada por uma comitiva. ou seja corria-se o risco de fazer xixi na cama.
uma bela noite acordei com vontade de ir ao banheiro e mandei o porra do cavalheiro se foder! fui sozinha e o viado não apareceu. nunca encontrei esse desgraçado!
já fazia 2 semanas e nada de conhecer o lendário cavaleiro e a tão temida á irmã nézia, que segundo as universitárias (quase beatas) era a dona daquele império todo.
depois de atravessar aqueles corredores frios e sombrios toda noite sozinha para fazer o meu merecido xixi, fiquei bastante popular por ser a única menina capaz de enfrentar o tal desafio.
mas a minha popularidade aumentou mesmo quando eu levei um litro de 51 para o quarto e fiz nojentas caipirinhas de tang( urgh) . me enjoa só de escrever. as caretinhas piraram e me pediam direto, aí o padrão foi aumentando e fui traficando capeta, cuba libre e por aí vai.
um dia acordo com um "hum – hum" . no que acordei, senti o que os católicos chamariam de pecado, os espíritas de provação e os evangelhos de coisa do demônio. era ela , de hábito, uns 75 anos e os cabelos impecavelmente pintados de violeta.
ela estava segurando uma garrafa de 51 , que por sinal era minha.
e disse:
_ o que isso está fazendo em seu guarda- roupas?
e eu fiz o que toda alcoolatra juvenil em começo de carreira faria. pulei nela e tomei a força a garrafa dizendo que era invasão de privacidade.
depois de olhares "with lasers" acabei me rendendo e entregando a garrafa. e foi assim o nosso primeiro encontro.
depois de dois dias ela me chamou em sua sala e me disse que eu iria acompanhá-la na próxima missa dominical, onde nunca tinha nem passado perto da capela.
no domingo estávamos lá nessa ordem: irmã nézia , eu e irmã fátima. quando entrei fui fuzilada por olhares curiosos . acho que quando alguém entrava com a irmã para uma missa era porque a jurupoca tinha piado.
algumas semanas depois eu mesma pedi para falar com a Irmã nézia em sua sala.
disse a ela que queria sair pois não havia me adaptado as regras do pensionato.
ela me abraçou de me desejou muita sorte e que a paz de deus estivesse sempre comigo.
saí de lá e fui para uma nova empreitada. aluguei um ap com mais quatro meninas que tinham o limite entre a loucura e a sanidade bem próximo ao meu.
elas fuçavam sim no meu guarda-roupas para pegar a cachaça, mas com outros propósitos, bem diferentes dos da querida e saudosa irmã nézia.


6 comentários:

Fernando disse...

Oi Lu. Esse texto é muito legal, gostoso de ler. E você é uam comédia. Beijão

Débora disse...

Que história!!! Fui testemunha viva destes acontecimentos... Infelizmente ou felizmente, até hoje não sei muito bem... Ao menos morar naquele lugar rendeu altas risadas e excelentes amizades!!! A Lu, à primeira vista, a moça do cabelo vermelho, que fumava Marlboro vermelho e que guardava, álém da garrafa de 51 no guarda-roupa, guardava também o tomate cortado ao meio dentro do armário... A ex-moradora de Avaré e filha legítima de "Lucrécia Bórgia" aos poucos, com a convivência, tornou-se muito divertida e de sorriso fácil... Tempos depois, tornou-se uma grande amiga, uma excelente companhia, com maravilhoso gosto musical, incrível criatividade e de um singular senso de humor.
Acho que é isso... A irmã Anésia, nunca mais a vimos, que Deus a tenha, mas graças a ela, ganhei uma amiga pra vida toda!

Léo disse...

Noooossaaa meuuu....que texto bacana !!!
Mas acho que você deveria ter ficado um pouco mais com as freiras hein ?!?!?!
heheheheh

Podeixar que agora vou ficar mais atento nas atualizações do seu blog....curti !!!!

Bjusss

Anônimo disse...

Cara, muito bom o texto... dá um belo roteiro de cinema....
Parabéns gata!

ALEXANDRE NOVASKI disse...

Vamos fazer um filme dessa maravilhosa história... agora, precisamos encontrar o ator pra fazer o cavaleiro...

Deby disse...

isso porque ela não conheceu a versão neo-paulistana Lu Love (Uma Tigresa de Unhas Negras e Íris Cor de Mel)...
DESCONJURO!!!!