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segunda-feira, 19 de maio de 2008


sobre o meu irmão


a adriana calcanhoto escreveu esquadros pra mim, a música inteira não , pelo menos o trecho “eu presto muita atenção no que meu irmão ouve” ,e posso acrescentar no que ele lê também.
bruka e eu sempre nos demos muito bem , apesar da diferença de idade, que quanto mais o tempo passa , isso faz menos diferença.
na minha infância ouvi muito kiss, eric clapton e simon & garfunkel, do lado de fora da porta do quarto dele . dancei muito.
ouço até hoje o som que vem do quarto , mas do lado de dentro.
lembro também das nossas dificuldades, ausência do nosso pai, mudança de vida brusca, de são paulo para o interior, e outras coisas mais que elegeram ele o novo homem da casa , por livre e espontânea pressão.
aí então ele passou em jornalismo na uel, em londrina, tivemos que nos separar, me lembro da sensação até hoje dele saindo de casa cheio de malas e minha mãe preparando uns congelados para ele levar.
quando ele começou a tocar guitarra , pra mim ele era o rock star mais fodido de todos os tempos, quando as pessoas o elogiavam dizendo : “ o seu irmão toca pra caralho” eu me sentia a própria irmã do jimi , o hendrix.
sempre me inspirei nele,.que tinha a vida e os amigos mais legais . até hoje quero ser amiga dos amigos dele.hoje eu posso, na época era muito pirralha.
um dia ele me desbancou tirando sarro da minha” literatura juvenil” , porque eu estava numa fase paulo coelho, pudera, tinha 13 anos. foi aí que matei o paulo, me lembro do dia que jurei nunca mais passaria perto de sua “literatura”.
foi então que comecei a prestar muita atençao também no que ele lia. me lembro de um dia ir para londrina, ele não sonha com isso, mas peguei um bloquinho, entrei em seu quarto e anotei tudo o que ele estava lendo.
não lembro da lista completa, mas lembro de ter bukowski, gorki e nietzsche. pra mim ele sempre foi o cara, sempre corri muito para alcançá-lo. acredito que a minha obrigação pela leitura começou ali. eu digo obrigação, porque para uma menina de 15 anos ler gorki, só poderia ser obrigação.
mas o gosto pela leitura mesmo, veio com o tempo. até hoje ele me apresenta sons, livros e filmes, porque apesar de eu trabalhar com cinema, o cinéfilo é ele.
ele sem dúvida é o meu herói, daqueles que você acha que é invensível, que sabe tudo , que sempre tem uma piadinha na hora certa, que te educa duramente, mas também te pega no colo.
hoje, pela segunda vez estamos cortando nossos cordões umbilicais, ele está indo para uma nova empreitada , uma nova e linda fase na sua vida. depois de morar 3 anos comigo em sampa, ele vai ter a sua casa, a sua nova família. e será eleito o homem da casa, da sua casa.
eu só tenho que desejar boa sorte ao meu eterno herói, que apesar dos altos e baixos, de ter acompanhado suas vitórias e fraquezas de perto, isso não mudou em nada a minha opinião.





Um comentário:

Fischer disse...

Chuif, chuif...
Acho que esse becão de fazenda mal ajambrado nem merece tudo isso, mas seu texto extravaza emoção. Assim como o dele, no respectivo blog, sobre o pai.
Beijo, e saudades de vocês e da cidade.