Total de visualizações de página

domingo, 6 de março de 2011




"eu não caibo mais nas roupas que eu cabia".


é sempre assim toda vez que venho para casa da minha mãe.
me sinto meio gulliver, grande , espaçosa e fora de sinc.
o meu quarto intacto , a minha coleção de latas decoradas na ordem de sempre, a disposição dos móveis, minhas fotos, o papel de parede, a minha coleção de revistas e a cama com aquele edredon da minha adolescência.
a janela que o meu namorado da época jogava pedrinhas no meio da madrugada para fugirmos já não parece tão alta. eu nunca pulei, mas hoje se quisesse muito, acho que me arriscaria.
os quartos não tem mais aquela distância entre eles, os banheiros não são mais tão espaçosos.
tudo tão distante e tão perto. tão diferente e tão igual que chega ser assustador.
os meus amigos continuam me ligando e me visitando , como na época que eu fazia faculdade, e vinha passar férias na cidade.
e dessa vez não foi diferente, nenhuma alteração, nenhuma novidade, e por enquanto nenhuma surpresa, apenas o invevitável, a realidade.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011



hoy no estoy

uma vontade absurda de sumir sem deixar recado, de sair para comprar cigarros e voltar um dia ou não , de ir para um café e de encontrar aquela pessoa que perdi em algum momento da minha vida.
de fugir de casa, mesmo morando só, de não atender celular, rádio e não responder emails.
de me esconder debaixo da cama e acreditar ingenuamente que é o lugar mais seguro do mundo, de ficar em silêncio no escuro, de ficar horas olhando para o teto contando as rachaduras.
de ser invisível por algumas horas, de não pensar em nada , de esquecer os problemas e as chateações da rotina.
de me esconder tanto até sentir um enorme prazer de me reencontrar.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011




prefiro você `a todas as histórias ,benditas ou malditas de um remoto passado.
prefiro quando se despede de mim e fica me olhando até você sumir do meu campo de visão, `as despedidas frias e dolorosas que já tive.
prefiro ficar te ouvindo falar de cinema horas aos ecos agudos e distantes do passado.
prefiro você me olhando quando estou distraída aos olhares repressores de outras vidas.
prefiro quando você se preocupa com o meu sono `as horas de sono perdidas por situações sem solução.
prefiro o boteco da esquina com você ao fasano por obrigação.
prefiro a sua sinceridade rasgada a toda mentira escondida.
prefiro a sua gentileza a toda falsa generosidade.
prefiro a sua delicadeza a sutileza disfarçada.
prefiro o precioso a qualquer coisa que brilhe.
prefiro dizer o que sinto a esconder a verdade.
só hoje pude perceber, que sempre preferi o doce ao amargo.



domingo, 16 de janeiro de 2011


ordem de despejo

por favor, tire todas as suas coisas daqui.
as suas roupas, a sua alegria, a sua tristeza, os seus livros, os seus sapatos, a sua comida predileta, o seu perfume e o seu futebol de domingo.
por favor, não me desaponte, tire também aquela tarde que passamos rindo só de lembrar de situações que passamos juntos e nos fizeram rir.
leve também aquela noite que juramos que a gente era para sempre, e aquela viagem que planejamos tanto e não aconteceu.
tenha piedade e vá , e não esqueça de levar aquele cartão postal da itália que você me mandou jurando que aquela viagem só teria tido graça comigo.
não deixe para pegar depois, as suas meias, as suas piadas que de tão sem graça me obrigavam a rir por livre falta de opção, e a sua caneca preferida também.
ah, é bom você levar todas as sessões de cinema que fomos juntos, os jantares no indiano da esquina e aquela mania ou habilidade de falar todas as palavras junto comigo.
já ia me esquecendo das ligações de madrugada, das mensagens de texto e os códigos que usávamos em público.
agora o que você não pode esquecer mesmo, é a respiração quentinha que toda noite dormia quase que sincronizada junto a minha.
tire os abraços apertados e os sorrisos altamente irresistíveis, o mais depressa possível.
e é importante levar a sua mania de ser o meu audiolivro toda noite antes de dormir.
acho que não me esqueci de nada, já pode ir.
você tem cem anos, a contar de agora, para desocupar todos os cômodos, absolutamente todos os cômodos da minha mente.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

e depois de tanto tempo, tantos amores, tantas idas e vindas.
você continua lindo, intenso e precioso como aquele livro perfeito que faço questão de tê-lo sempre por perto.
só para ter o prazer de reler e lembrar de trechos inesquecíveis que fizeram e farão parte da minha história.
um trecho de cada vez, bem devagarinho para nunca acabar.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

"paz
eu não agüento mais
me deixa em paz
sai de mim
me deixa em paz

vá, nosso fogo se apagou
nosso jogo terminou
vai pra onde Deus quiser
já é hora de partir
não adianta mais ficar"


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

ela comprou vinho e acendeu velas na banheira, e ele levou o jantar.
- velas no dia trinta e um de outubro?
- sim, velas.
- hoje é dia das bruxas . é alguma bruxaria para me prender? - disse ele
- é? tenho andado tão ocupada que nem me lembrei que dia é hoje.


ela tentou ser romântica, e ele supersticioso.